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Guia de direito de família

Guia pilar — Família

Divórcio, guarda, pensão, inventário, união estável — orientações claras pra momentos sensíveis.

Visão geral

Direito de família é o ramo que trata das relações familiares — casamento, união estável, separação, divórcio, guarda de filhos, pensão alimentícia, adoção e inventário. Toca temas sensíveis e exige atenção tanto técnica quanto humana.

No Brasil, é regulamentado principalmente pelo Código Civil, com complementos da Constituição (proteção da família) e do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Como funciona na prática

O direito de família cuida de casamento, união estável, divórcio, guarda de filhos, pensão alimentícia, partilha de bens e reconhecimento de paternidade. É a área mais sensível do dia a dia, porque envolve dinheiro e afeto ao mesmo tempo.

Quando há acordo entre as partes e não há filhos menores ou incapazes, muita coisa pode ser resolvida em cartório, de forma mais rápida e barata. Havendo disputa ou filhos menores, o caminho é o Judiciário. Em qualquer caso, o advogado é obrigatório (ou a Defensoria Pública, para quem não pode pagar).

Temas centrais

  • Divórcio

    Dissolução do casamento — consensual ou litigioso, judicial ou em cartório. Acompanha partilha, guarda e pensão.

  • Guarda compartilhada

    Regra no Brasil atual — ambos os pais responsáveis, ainda que a criança more com um deles. Convivência é ajustada conforme melhor interesse.

  • Pensão alimentícia

    Para filhos menores principalmente, mas também pode envolver ex-cônjuges e parentes em linha reta.

  • Inventário e sucessão

    Procedimento para transferir bens após falecimento — judicial ou extrajudicial.

  • União estável

    Reconhecimento e dissolução têm regras próprias. Pode ser convertida em casamento por escritura ou por sentença.

Passo a passo: o que fazer

  1. 1

    Defina se é consensual ou litigioso

    Se as duas partes concordam com tudo (bens, guarda, pensão), o processo é muito mais rápido. Se há disputa, prepare-se para uma fase de provas.

  2. 2

    Reúna documentos e levante os bens

    Certidão de casamento, documentos dos filhos e a lista de bens e dívidas do casal. A partilha depende dessa fotografia do patrimônio.

  3. 3

    Tente um acordo sobre os filhos

    Guarda (compartilhada é a regra), convivência e valor da pensão. Acordo bem feito evita anos de briga e protege a criança.

  4. 4

    Formalize em cartório ou na Justiça

    Divórcio consensual sem menores: escritura em cartório, com advogado. Com menores ou litígio: ação judicial.

  5. 5

    Registre e execute

    Averbe o divórcio no registro civil. Se a pensão não for paga, é possível executar — inclusive com prisão do devedor.

Prazos que você precisa conhecer

  • Sem prazoO divórcio é um direito de quem pede; não depende da concordância do outro nem de tempo mínimo de casamento.
  • Até 3 parcelasO atraso das 3 prestações mais recentes de pensão permite pedir a prisão civil do devedor (art. 528 do CPC).
  • Desde a citaçãoA pensão alimentícia é devida, em regra, a partir da citação no processo — por isso não convém demorar para entrar.
  • 2 anosPrazo para o cônjuge pedir a partilha de bens após o divórcio, quando ela não foi feita junto.

Documentos que costumam ser necessários

  • Certidão de casamento atualizada (ou prova da união estável)
  • RG e CPF das partes
  • Certidão de nascimento dos filhos
  • Documentos dos bens (matrícula de imóvel, documento do carro, extratos)
  • Comprovantes de renda e de despesas dos filhos (para a pensão)

Quanto custa (e quando é gratuito)

  • Defensoria Pública: gratuita para quem comprova que não pode pagar
  • Divórcio em cartório: custas da escritura + honorários de advogado
  • Processo judicial: custas variam por estado; é possível pedir gratuidade de justiça

Erros comuns que prejudicam o caso

  • Combinar pensão 'de boca', sem documento — depois não dá para provar nem executar
  • Deixar de averbar o divórcio no registro civil
  • Abrir mão da guarda ou de bens por pressão emocional, sem orientação
  • Parar de pagar pensão por estar sem ver o filho (são coisas separadas — o não pagamento gera prisão mesmo assim)

Direitos que muita gente não conhece

  • Guarda compartilhada é a regra

    A lei prioriza que os dois pais dividam as decisões sobre o filho, mesmo morando em casas diferentes.

  • Pensão também para a gestante

    Existem os alimentos gravídicos: a gestante pode pedir ajuda nas despesas da gravidez ao suposto pai.

  • Prisão por pensão atrasada

    O devedor de pensão pode ser preso (regime fechado, separado de presos comuns) pelas parcelas recentes não pagas.

Quando vale procurar um advogado

  • Quando há disputa sobre filhos (guarda, convivência)
  • Quando há patrimônio comum significativo a dividir
  • Quando há suspeita de ocultação de bens ou rendas
  • Quando há urgência (violência, risco a crianças, situação financeira frágil)

Perguntas frequentes

Preciso de dois advogados no divórcio consensual?

Não necessariamente. Um único advogado pode representar ambos quando há acordo total. Mas cada parte tem direito a advogado próprio se preferir.

Pensão é só para filho menor?

Não. A obrigação alimentar pode atingir ex-cônjuges em situações específicas, ascendentes (filhos para pais idosos) e outros parentes em linha reta, conforme o caso.

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