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Guia de direito criminal

Guia pilar — Criminal

Defesa em inquéritos, audiências, processos e execução penal.

Visão geral

Direito criminal (ou penal) cuida da relação entre o Estado e quem é acusado de crime. Tem regras próprias muito rigorosas, justamente porque envolve liberdade.

Entre os princípios mais importantes — presunção de inocência, contraditório, ampla defesa e direito ao silêncio. A defesa técnica acompanha em todas as fases — investigação, inquérito, ação penal, recursos e execução.

Como funciona na prática

O direito criminal aparece de dois lados na vida do cidadão comum: como vítima de um crime (furto, golpe, ameaça, agressão) ou como investigado/acusado. Em ambos, conhecer os próprios direitos evita decisões precipitadas que pioram a situação.

Um princípio vale ouro: ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo. Quem é chamado a depor, especialmente como suspeito, tem direito ao silêncio e à presença de advogado. E todo acusado é inocente até decisão final — a defesa é um direito, não um favor.

Temas centrais

  • Inquérito policial

    Fase preliminar de investigação. Defesa pode atuar para esclarecer fatos e evitar acusação infundada.

  • Habeas corpus

    Ação constitucional contra prisão ilegal ou ameaça. Rito sumário, sem custas.

  • Ação penal

    Defesa em juízo. Audiência de instrução, alegações finais, sentença e recursos.

  • Execução penal

    Após sentença, cuida-se do cumprimento — regime, progressão, livramento condicional, saídas, indulto.

  • Recursos

    Apelação, recurso especial, recurso extraordinário, revisão criminal — caminhos para discutir condenações.

Passo a passo: o que fazer

  1. 1

    Se você é vítima

    Registre o boletim de ocorrência (pode ser online em muitos estados) e guarde provas: prints, fotos, laudos, nomes de testemunhas.

  2. 2

    Se você é investigado, fique calmo

    Você tem direito de ficar em silêncio e de não assinar nada sem entender. Não tente 'se explicar' sozinho na delegacia.

  3. 3

    Procure um advogado ou a Defensoria

    Antes de qualquer depoimento como suspeito. A Defensoria Pública é gratuita para quem não pode pagar.

  4. 4

    Acompanhe o inquérito e o processo

    A defesa tem direito de ver as provas (vista dos autos) e de se manifestar em cada fase.

  5. 5

    Avalie acordos com cautela

    Existem acordos (como o de não persecução penal) que podem ser vantajosos, mas só com orientação jurídica.

Prazos que você precisa conhecer

  • 6 mesesPrazo (decadência) para oferecer queixa-crime nos crimes de ação penal privada, contado de quando se sabe quem foi o autor.
  • VariaA prescrição (perda do direito de punir pelo tempo) depende da pena máxima do crime — pode ir de poucos anos a mais de 20.
  • ImediatoEm flagrante, a comunicação à família e o acesso a advogado devem ser garantidos desde o início.

Documentos que costumam ser necessários

  • Boletim de ocorrência
  • Provas do fato: prints, fotos, vídeos, laudos médicos
  • Documentos pessoais
  • Lista de testemunhas com contato
  • Cópia do inquérito ou do processo, quando já existe

Quanto custa (e quando é gratuito)

  • Defensoria Pública: gratuita para quem comprova que não pode pagar advogado
  • Advogado criminal particular: honorários combinados conforme a complexidade
  • Boletim de ocorrência e atendimento na delegacia: gratuitos

Erros comuns que prejudicam o caso

  • Prestar depoimento como suspeito sem advogado
  • Assinar documentos na delegacia sem ler e entender
  • Tentar 'resolver' conversando com a outra parte em crimes graves
  • Achar que não comparecer faz o problema desaparecer

Direitos que muita gente não conhece

  • Direito ao silêncio

    Você não é obrigado a responder o que possa te prejudicar, e o silêncio não pode ser usado contra você.

  • Presunção de inocência

    Ninguém é culpado até a decisão final. A acusação é que tem de provar — não o acusado provar que é inocente.

  • Defesa garantida

    Todo acusado tem direito a advogado (ou Defensoria) e a apresentar provas em sua defesa, em qualquer fase.

Quando vale procurar um advogado

  • Imediatamente, sempre que houver intimação, citação ou prisão
  • Antes de qualquer depoimento, mesmo como testemunha em caso sensível
  • Em casos de mandado de busca e apreensão
  • Para revisão de condenação ou pedido de soltura

Perguntas frequentes

Posso confiar em advogado dativo?

Em regra sim — são profissionais qualificados nomeados pelo juiz quando o réu não tem condições. Mas todos têm direito a contratar advogado de confiança se quiser.

Quando termina o sigilo de uma investigação?

O sigilo é exceção. A Súmula Vinculante 14 do STF garante à defesa amplo acesso ao inquérito, salvo diligências em andamento.

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